
Quem é ela?
Ela sorria num riso triste e andava perdida nas ruas. Talvez fosse a única, talvez a lúdica, talvez a própria acústica de um mundo sem som.
E quando chegava à casa, se olhava no espelho e não reconhecia mais o próprio reflexo. A sua história comportava um léxico desconexo. E ela destoava no tom, pacífico, de um azul-liberdade.
E de refém, tornou-se réu... Aprisionou-se junto do medo, do vazio e da solidão. De fato, não conhecer a própria alma lhe trouxe um cárcere ressonante e a vida mostrou a sua pior sentença.
Quantos dela existem no mundo? Quantos já não reconhecem mais o próprio reflexo? Quantos se assustam ao ver que suas imagens comportam marcas que o tempo delineou?
Sejamos como o sol, que respeita o espaço da noite e retorna com toda sua luz. Sejamos como o amor, mas o verdadeiro amor, que queima nas chamas do coração qualquer resquício da descrença. Sejamos como o vento, que traspassa qualquer barreira como o azul-liberdade. Sejamos... simplesmente livres.
A liberdade não se encontra em se deslocar fisicamente de um espaço para outro, mas sim em se libertar dos vícios da mente e das armadilhas do ego.
Ela tem muitos nomes próprios e comuns. Pode ser Maria, Joana, Selma. Pode ser a solidão, a ignorância, a descrença... Se você se encontrou nela, que tal deixar de sê-la? Como? Mergulhando no pacífico do seu oceano.
Nathalia Wigg