
ANJO INTERNO
É mergulhando na própria alma
Que encontrarás a indelével nau rumo ao infinito.
Caminhava rente ao mar, quando chegou um menino perguntando-me: “Moça, no que você acredita?” Sem saber o que responder, eu silenciei. O menino agradeceu e disse-me que eu estava no caminho certo.
As ondas batiam nos meus pés e os meus pensamentos vagavam na sinuosidade das águas. Andava sem destino, tinha perdido a noção das horas... Queria sumir diante dos olhos de Deus, imersa naquele cenário pacífico. Até que senti uma pequena mão tocar meu braço, era outra criança que me fez a mesma pergunta: “Moça, no que você acredita?” Desta vez eu quis arriscar e responder: “Acredito que a vida é como o mar, cheia de belezas, perigos, altos e baixos.” O menino agradeceu e disse para eu continuar o caminho.
O sol já estava se pondo num tom avermelhado de partículas de amor. O lugar em que eu estava era deserto e repleto de silêncio. Sentei-me na areia, às margens do meu esplendor e, em mim, o oceano desaguou. Ele fluía lentamente dos meus olhos, das terras dantes virgens, que eu jamais pensei em tocar.
Caminhei rente ao mar da minh’alma, encontrei-me com anjos que habitam o meu mundo. Descobri que o silêncio é repleto de tudo e celebrei às margens da eternidade. E assim tornei-me, de fato, eterna. Pois morria a cada tentativa frustrante de superficialidade de vida, a cada futilidade almejada. Eu era como muitos: temia conhecer-me a fundo, mal sabia que o fundo era o infinito e o que me traria à eternidade.
Nathalia Wigg
(Texto publicado no livro "Essência Azul".)