Além da arte
O vento chegava do Atlântico. O mar reluzia sonhos. As ondas quebravam a beira-mar... Num som pacífico. O sol abençoava aquela manhã, no Recife.
Vi uma mulher sentada debaixo de uma árvore. Ela parecia estar distante e incomunicável. Ao seu lado, apenas alguns livros espalhados. À sua frente, apenas o imensurável horizonte.
Inesperadamente, ela retirou um quadro de dentro da mochila e o entregou a mim. A tela comportava uma linda pintura: Um deserto e um robusto arco-íris “cortando” o azul e rosa da abóbada celeste.
A moça queixou-se a respeito do amor. Disse que os corações das pessoas comportam, muitas vezes, a arte do amor e não o amor além da arte. Ela estava triste... Desejava mais verdade.
Então lhe entreguei um pequeno texto, a fim de esculpir um novo horizonte:
I
Era um quadro... Um simples quadro. Era... Não é mais! Peguei cada retalho e esculpi um novo horizonte. Era um quadro na parede vazia, na sala ampla, sombria, sem a luz do dia. Não é mais! Peguei cada mágoa, farpa, assombro e transformei na mais sublime obra de arte: A arte de amar, apenas.
II
Era um amor... Um simples amor. Era... Não é mais! Peguei cada retalho e esculpi um novo horizonte. Era um amor no tecido vazio, no coração amplo, sombrio, sem ventrículos. Não é mais! Peguei cada carinho, afago, encontro e transformei na mais sublime obra de amor: O amor que transcende a arte, apenas.
Nathalia Wigg