
A voz do poeta que canta
Vamos amar cada pormenor da vida,
E que a dor ou a alegria seja a ponte
Dos sonhos, para que se dê a partida
De cada leitura das páginas vividas.
E lembrando-nos de todas as esperanças,
Que o passado, um dia, comportou,
Ainda podemos nos ver como crianças,
E reacender o fogo no coração que amou.
Então bradam os desejos perdidos no peito,
Suplicando por estrelas no âmago dos anjos,
Que brilham na estrada-luz do murcho seio,
Da alma do homem que ressuscita arranjos.
E, assim, regando o jardim do Universo,
Que reside na voz do poeta que canta,
Pode-se transformar o árido no inverso,
E perfumar a jornada que a alma acalanta.
Então, de repente, nasce o sol num furgão,
Que transporta as letras, as paixões e a alma,
Que haviam caído das fendas de um coração,
E derrapado, num adeus, bem na nossa palma.
E nada mais importa nessa vã filosofia da razão,
Se não existe paz, simplicidade e a velha calma.
Venha, vamos embarcar na carruagem do amor,
Mergulhar em cada nascer e pôr-do-sol, adiante!
Para que os sonhos façam sorrir os olhos de dor,
E não mais tristonha, a nossa lídima visão, doravante...
Veja, da nascente da esperança, a mais sublime cor,
E que de alegria e paz a nossa alma para sempre cante.
Nathalia Wigg